terça-feira, 22 de março de 2011

Dançarei sobre teu cadáver na Mostra TragiCômica de Teatro



Dançarei sobre teu cadáver na Mostra TragiCômica de Teatro
dias 10, 11 e 12 de Maio,
na sala Carlos Carvalho da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736, Segundo Andar)

Ingressos antecipados nas lojas Convexo (shoppings: Moinhos, Iguatemi e Praia de Belas)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Voltaremos em Maio!


Em maio, depois de mais de um ano (nossas últimas apresentações foram no Porto Verão Alegre de 2010), voltaremos ao palcos de POA na Sala Carlos Carvalho (Casa de Cultura Mário Quintana). As datas são 3, 4 e 5/05 (terça, quarta e quinta-feira). Estamos com novos integrantes no elenco, e devem vir por aí algumas mudanças no espetáculo...

Aguarde e confira. E anote na agenda!

UPDATE: As datas mudaram para 10, 11 e 12/03 (terça, quarta e quinta).

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Dançarei no 11º Porto Verão








*Fotos: Lícia Arosteguy
*Arte: Fê Moreno

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

domingo, 3 de janeiro de 2010

Dançarei sobre teu cadáver no 11º Porto Verão Alegre:



Informações:
Temporada: 12 a 14 de janeiro (terça, quarta e quinta)
Horários: 21h
Local: Álvaro Moreyra - Av. Érico Veríssimo, 307.
Ingressos: R$ 15,00
Antecipados:
R$ 12,00 (para titular do Clube do Assinante e um acompanhante)
R$ 10,00 (idosos).
Nos teatros, os bilhetes custam, respectivamente: R$ 20,00; R$ 16,00 e R$ 10,00. Para estudantes, os ingressos são vendidos somente na bilheteria dos teatros a R$ 10,00 (terça, quarta e quinta) e R$ 16,00 (sexta, sábado e domingo).

Ponto de venda:
Loja 114 da Praça de Alimentação do Prédio C do DC Shopping; Shopping Praia de Belas, lojas Multisom dos shoppings Moinhos e Barra Shopping Sul e da Andradas;
Lojas Pé de Meia dos shoppings Iguatemi e Total.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Camilo de Lélis escreve sobre Dançarei*:


"Hoje eu vi teatro. Andava falando mal, reclamando do que virou o nosso teatro na última década. Mas, espera aí! Tenho notado que há alguma excessão. Assisti a "Tá e Aí?", "Pilulas de Vatapá" e, por último, "Dançarei Sobre Teu Cadáver - direções de Julio Conte. "Tá e Aí?" é uma experiência cênica que mereceria um estudo mais aprofundado e se calhar, numa outra temporada, talvez eu me anime a fazê-lo. Porém, essas duas peças, "Pílulas de Vatapá" e "Dançarei Sobre Teu Cadáver" têm muitos pontos em comum, e o mais forte é o elenco que é muito jovem, se não estou errado, oriundo de oficinas ministradas por Julio Conte. Ambas as peças são de dramaturgia juliana e refletem a vida como ela é, e com tintas bem carregadas. Em "Pílulas...", que já faz algum tempo que assisti, a coisa é meio rodrigueana com incestos e que tais, além de muita drogadição e sexo. "Dançarei..." que assisti agorinha, no final da temporada do Teatro de Arena, me estimulou a falar bem de nosso teatro, a equipe merece meus louvores. Julio definiu o texto a partir de improvisações com os atores e conta, também, com o auxílio de Vicky Mendonça, que escreveu uma cena. Suas peças de oficina são espartanas; necas de cenário, alguns adereços e figurino mínimo. Então elas têm de ter alguma coisa a ser dita; e o que se ouve compensa a carência material. A turma de atores é natural, sem "over action" e outros estrionismos ou truculências, que os atores da antiga acabam adquirindo muitas vezes por preguiça de investir suor numa arte tão desvalorizada como é o teatro. Ninguém tranca a respiração, ou tremula o lábio inferior, ou falseia a voz para simular emoção; tudo ocorre com fé cênica, na sequência lógica que as cenas trazem ao espectador. E o que conta a peça? Conta a trajetória de um rapaz que resolve se endireitar na vida, largar as drogas e estudar, mas que não chega a bom fim, pelo contrário, termina morto. A narrativa é em "flash back", inicia pelo fim, e vai construindo os episódios que a trouxeram a tal desfecho. A estória tem vários personagens, que são apresentados ao público, ao mesmo tempo que cada ator se apresenta, pessoalmente, na abertura do espetáculo: "Eu sou fulano e farei tal personagem, que é assim e assado, pensa isso e faz aquilo, etc". Isso faz com que o público relaxe e participe afetivamente do que será mostrado. Há o crack, a prostituição, mas também há o afeto, a amizade e até o amor.Foi um alívio ver uma peça que, apesar de ter sido feita sem recursos financeiros, nos fala a verdade. Eu que andava até enjoado dos shakespeares& sófocles que andaram assombrando a cidade, vi, satisfeito, uma coisa simples, mas eficaz. Sim, o teatro necessita de eficácia, pois trata-se de ministrar um "farmakon", e eu tenho tomado placebos aos montes, até dessas peças riquissimamente encenadas que nosso belo festival nos traz anualmente, mas que falam de um outro mundo, não o mundo em que vivemos, ou mostra outras épocas, não devidamente transpostas. Houve um cara em Atenas, Frínico, contemporâneo de Ésquilo, que cometeu a seguinte gafe: o poderio persa estava apavorando os helenos e acabara de reprimir violentamente uma rebelião em Mileto, matando todos os homens e levando as mulheres e crianças como escravos. Então, Frínico escreveu e encenou "A Tomada de Mileto". A comissão do festival aceitou o argumento e aprovou o financiamento, após um ensaio geral. Mas na representação pública a porca torceu o rabo, pois os atenienses furibundos com o próprio sofrimento, em uma futura invasão persa à sua cidade, que a encenação prenunciava, não se ateve à compaixão pelos vencidos, mas sim ao poderio do vencedor que os ameaçava. Resultado: multa ao dramaturgo e proibição da peça, que jamais foi reencenada. Conto essa passagem, numa defesa de que se volte a escrever e dizer coisas vivas, para lembrar aos ressuscitadores de textos antigos, que estes, se não contextualizados, tornam-se anacrônicos, que o teatro desde suas origens foi uma exposição de atualidades, mesmo que através de episódios históricos ou mitos originais. Na peça " Dançarei Sobre Teu Cadáver" Julio Conte, num exemplo de contextualização, faz uma referência mitológica aos troianos e sua infeliz Cassandra, cuja sina era vaticinar com extremada correção, porém ninguém acreditava em suas profecias. Na peça de Julio, uma moça, normalmente meio tansa, quando é possuída pelo espírito da escrava Anastácia prevê o futuro das outras personagens, mas, como no mito, ninguém acredita nela. É ela que nos dá o epilogo do espetáculo:" Eu vi, eu vejo, eu verei! A sociedade de consumo virou sociedade da consumação! A vida não vale nada, mas nada vale a vida! Eu falo mas ninguém acredita..."Bem, se os gregos, nossos primeiros mestres, falavam de coisas que afetavam os seus contemporâneos, penso que o mesmo devemos fazer nós, se formos bons estudantes daquela filosofia, a qual podemos degustar na precisão e beleza de seus textos. Se não temos toda aquela poesia dramática, que tenhamos ao menos aquela atualidade, isto é, estejamos presentes à chamada do deus do vinho&teatro, Dionisos. E, eu que estava presente, vi quando os atores da peça "Dançarei Sobre Teu Cadáver" responderam em uníssono ao terceiro sinal: "presente!""

Camilo de Lélis*


* Este comentário está publicado no Jornal Fala Brasil com o nome "Quem Vive Dança & Vice Versa". Confira!

Depoimento sobre a peça:

Um Gostoso Reencontro
Jorge Alberto Benitz


Antes, desculpas pelo titulo meloso.Vou me permitir tecer humildes comentários sobre a peça de Julio Conte e Vicky Mendonça, “Dançarei Sobre Teu Cadáver”. Antes queria externar a minha satisfação de retornar, como expectador, ao teatro. Injunções da vida, que alguns chamam de aburguesamento, me levaram para ocupações e lazeres outros, que sem duvida, apequenaram a minha cultura. Digo isto porque senti ao retornar o quanto é visceral e impactante ver uma peça de teatro. Outros dizem que é apenas um outro modo de ser burguês. Dizem mais: O sujeito vai ao teatro, vê Brecht ou outro autor teatral com a mesma verve critica social dura e implacável e sai dali, vai jantar no restaurante da moda e amanha pode muito bem estar na posição de, por exempl o, um diretor de RH de uma multinacional, cortando gastos, eufemismo para dissimular a antipática prática chamada de corte de pessoal, sem dor no coração e na consciência e assim a vida continua até outra sessão teatral e outro jantar sofisticado, recheado de comentários sobre a performance de fulano ou beltrana, sobre a pertinência do cenário, etc...

Em contrário, posso dizer que tal possibilidade é inerente a toda a arte. Melhor, a todo o fazer. Se assim pensássemos todos, restaria cruzar os braços, esperando a morte chegar ou esperando Godot, como queiram. Viva a arte! Mesmo quando ela parece abraçar o pior tipo de niilismo, ainda assim transcende-o e diz sim a vida. Quando falo em niilismo artístico estou me reportando a entediados e afetados autores europeus como, por exemplo, Becket, um chatonildo segundo Ferreira Gullar, com quem comungo neste particular e em outros embates como o que empreende com os concretistas. Mas isso é outra história. Já estou, como sempre, encompridando e tergiversando demais.

Vamos a peça. Um lembrete: Esta é apenas uma opiniãozinha, que assenta perfeitamente no sentido dado por Quintana quando elogiaram o seu poeminha. Isto mesmo. Uma humilde impressão, melhor uma crônica, com tudo que isto implica- inclusive aquele divertido epíteto que a rotula de literatura de bermudas- , de alguém pouco versado na manha teatral, de alguém que só teve a idéia de escrever sobre a peça movido pela satisfação tida ao vê- la e, principalmente, por ter me comprometido com a namorada de meu filho Daniel, atriz da peça com uma performance instigante pelo estranhamento que ela conseguiu imprimir na personagem (Nao vai aqui nenhum puxa- saquismo de sogro.Tentei, na medida do possível, ser o mais imparcial possível, neste pormenor). Mera idiossincrasia. Antes que me atirem pedras, digo em minha defesa q ue estou assim sendo fiél a prédica de Zé Celso Martinez que ao falar sobre Oswaldo de Andrade, diz, lá pelas tantas, que o teatro deste, que é um dos mentores da semana de arte moderna de 22, pretende nada menos do que: ( )...se intrometer um tudo, palpitar sobre tudo, devorar tudo, utilizar tudo. Um impurismo total. Sua única grande fidelidade é seu sentido anárquico de apreensão de mundo ( )... Sei que adotar esta postura antropofágica oswaldoandradiana não é condição suficiente para estar sendo digno de atenção e consideração cultural, nem estou postulando tal condição. Apenas me valho dela para dar o meu pitaco. Alias, acho que todo o leitor, expectador que gosta de escrever deveria assim proceder.


No começo tive o desejo de, mesmo pouco versado em teatro, como já disse, de rotula- la de rodriguiana. Parecia haver todos os elementos deste universo nela. Logo me dei conta que no teatro de Nelson Rodrigues tem- se uma abordagem do mundo classe média. Classe média carioca, melhor entendido. Nem por isso menos universal. Daí uma grande diferença. O mundo focalizado na peça era mais periférico, mais suburbano, mais marginal e mais atual. Mas essa não era a única diferença com o chamado teatro rodriguiano. Há outra: Uma contenção que apesar de sutil, sempre se faz presente quando o cru, o erótico ou mesmo o prazer pervertido parece que vai tomar conta da cena. Não se vai as ultimas conseqüências como sói acontecer no teatro rodriguiano, as vezes de modo necessário , outras vezes apenas para alimentar o lado voyeur e/ou o gosto sadomasoquista de Nelson Rodrigues e seu público.

A natural rebeldia da juventude neste ambiente, marcado pela carência econômica e afetiva, torna qualquer desavença, qualquer discórdia resultante de interesses dispares, em chispas que facilmente se transformam em explosões. Mundo que assim como uma mesa de sinuca não deixa a bola sair do seu quadrado, se apresenta como sem saída para aqueles jovens que se debatem e vivem um possível que é muito mais dor e sofrimento do que prazer. Mesmo a busca de prazer nas drogas e no sexo, se mostram como o que realmente são: Meras válvulas de escape incapazes de saciar a ânsia de uma vida melhor.

Contrastando com este horror cotidiano nasce um deboche, uma leveza, um humor, uma ironia que paira sobre todo aquele mundo insano e que, provavelmente, mostra que a despeito de todas as adversidades aqueles jovens são iguais a todos os jovens. Cheios de alegria, humor e energia que somente não se transformam em algo socialmente positivo por culpa das injunções que os tolhem e impõem descaminhos que, se pudessem, com certeza não trilhariam.

Nada mais revelador de quanto é impermeável esta triste sina do que a morte do Life Boy. Cheio de sonhos e desejantes como quase todos os demais personagens, ele se distinguia por estar mais próximo de superar todos os obstáculos e vicissitudes e assim alcançar uma redenção. Uma bala não deixou que isto ocorresse. Não há happy end. Nem na ficção e .......nem na realidade.

Quanto à performance dos atores, somente me considero em condições de dizer que foram intensos, aplicados e convincentes. Se não o fossem, provavelmente, eu ficaria impassível. Não foi o que aconteceu, ao contrário, ora ria, ora ficava triste, ora tenso e a todo o tempo ligado. Por extensão, fica patente a mão dos autores e do diretor ou diretora que conferem beleza, graça e pertinência a trama e a dinâmica do espetáculo. Mais não digo por absoluta incapacidade.